Escoliose no adulto — comparação entre coluna normal e coluna com curvatura lateral em S
Escoliose12 de maio de 202614 min de leitura

Escoliose no Adulto:Quando Tratar e Quando Operar

A escoliose no adulto é uma condição mais comum do que se imagina. Pode causar dor lombar crônica, dor nas pernas e desequilíbrio progressivo do tronco. Entenda os tipos, o diagnóstico e quando o tratamento cirúrgico é necessário.

Dr. Paulo Cortez — CRM-RJ 52.94734-4

O que é escoliose no adulto?

A escoliose no adulto é uma curvatura lateral anormal da coluna vertebral que ocorre ou persiste após a maturidade esquelética. Diferente da escoliose do adolescente — onde a preocupação principal é a progressão da curva durante o crescimento — no adulto, a dor é a queixa dominante. A condição pode limitar significativamente a capacidade de caminhar, trabalhar e realizar atividades cotidianas.

Estima-se que até 68% dos adultos acima de 60 anos apresentem algum grau de curvatura lateral da coluna em exames de imagem, embora nem todos desenvolvam sintomas. A escoliose no adulto é uma condição que merece atenção quando causa dor, limitação funcional ou desequilíbrio progressivo do tronco.

Tipos de escoliose no adulto

Existem dois tipos principais de escoliose no adulto, com causas e comportamentos diferentes:

1. Escoliose degenerativa (de novo)

Surge na vida adulta, geralmente após os 50 anos, causada pelo desgaste progressivo dos discos intervertebrais e das articulações facetárias. A degeneração assimétrica dos discos e das facetas faz com que a coluna perca o alinhamento gradualmente. É a forma mais comum de escoliose no adulto.

Características: curvas geralmente lombares, de menor magnitude (20° a 40°), mas frequentemente associadas a estenose do canal e compressão nervosa. A dor nas pernas (ciática) é comum.

2. Escoliose idiopática progressiva

É a progressão de uma escoliose que surgiu na adolescência. A curva pode permanecer estável por décadas e voltar a progredir na vida adulta, especialmente após a menopausa, quando a degeneração discal se acelera. Curvas acima de 50° na adolescência têm maior risco de progressão na vida adulta.

Características: curvas geralmente toracolombares ou torácicas, de maior magnitude, com potencial de causar desequilíbrio sagital e coronal significativo.

Sintomas da escoliose no adulto

Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da escoliose, mas os mais comuns são:

Dor lombar crônica

O sintoma mais frequente. Piora ao ficar em pé por muito tempo ou ao caminhar.

Dor nas pernas (ciática)

Causada pela compressão nervosa associada à estenose do canal ou foraminal.

Desequilíbrio do tronco

Sensação de que o corpo está 'pendendo' para um lado ou para frente.

Dificuldade para caminhar

A distância que o paciente consegue caminhar vai diminuindo progressivamente.

Cansaço postural

Fadiga muscular ao ficar em pé, necessidade de apoiar-se em superfícies.

Formigamento e dormência

Nas pernas ou nos pés, indicando compressão nervosa.

Um aspecto importante é que a gravidade dos sintomas nem sempre corresponde ao tamanho da curva. Curvas menores com estenose associada podem causar mais dor do que curvas maiores sem compressão nervosa. O que mais importa é o impacto na qualidade de vida do paciente.

Diagnóstico

O diagnóstico da escoliose no adulto combina avaliação clínica e exames de imagem. O exame físico avalia o alinhamento do tronco, a flexibilidade da curva, a marcha e os sinais neurológicos. Os exames complementares incluem:

  • Radiografia panorâmica da coluna (em pé)

    Exame fundamental. Permite medir o ângulo de Cobb, avaliar o equilíbrio sagital e coronal, e classificar a deformidade.

  • Ressonância magnética

    Avalia a compressão nervosa, a estenose do canal e a degeneração discal. Essencial para o planejamento cirúrgico.

  • Tomografia computadorizada

    Complementa a avaliação óssea, especialmente para planejamento de parafusos pediculares em cirurgias complexas.

  • Radiografias dinâmicas (em flexão/extensão)

    Avaliam a flexibilidade da curva e a presença de instabilidade segmentar.

O ângulo de Cobb é a medida padrão para quantificar a curvatura. Curvas acima de 10° são consideradas escoliose. No adulto, a avaliação do equilíbrio sagital (alinhamento da coluna no plano lateral) é tão importante quanto a medida da curva no plano frontal.

Tratamento conservador

O tratamento conservador é a primeira linha para a maioria dos pacientes com escoliose no adulto. O objetivo não é corrigir a curva, mas sim controlar a dor e manter a funcionalidade. As opções incluem:

  • Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor
  • Fisioterapia especializada com foco em fortalecimento do core e flexibilidade
  • Exercícios aeróbicos de baixo impacto (caminhada, natação, bicicleta)
  • Infiltrações epidurais ou facetárias guiadas por imagem para alívio temporário
  • Bloqueios radiculares seletivos quando há dor ciática predominante
  • Acompanhamento clínico e radiográfico periódico para monitorar progressão

O tratamento conservador pode ser eficaz por anos em muitos pacientes. A decisão de operar só é considerada quando os sintomas não respondem adequadamente ao tratamento clínico ou quando há progressão documentada da deformidade.

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O Dr. Paulo Cortez avalia cada caso individualmente em Niterói e no Rio de Janeiro.

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Quando a cirurgia é necessária?

A decisão cirúrgica na escoliose do adulto é complexa e sempre individualizada. Não existe um número mágico de graus que determine a necessidade de cirurgia. A indicação é baseada em uma combinação de fatores:

Indicações cirúrgicas principais

  • Dor incapacitante que não responde ao tratamento conservador por pelo menos 6 meses
  • Déficit neurológico progressivo (fraqueza nas pernas, perda de sensibilidade)
  • Desequilíbrio sagital ou coronal progressivo que compromete a marcha
  • Estenose do canal lombar sintomática associada à deformidade
  • Progressão documentada da curva (mais de 5° por ano em radiografias seriadas)
  • Comprometimento significativo da qualidade de vida e capacidade funcional

A idade isoladamente não é contraindicação para a cirurgia. Pacientes de 70 ou 80 anos podem ser candidatos cirúrgicos se estiverem clinicamente aptos e se os benefícios esperados superarem os riscos. A avaliação pré-operatória completa é fundamental.

A cirurgia de escoliose no adulto

A cirurgia de escoliose no adulto tem dois objetivos principais: descomprimir os nervos (aliviar a estenose) e corrigir o alinhamento da coluna (restaurar o equilíbrio sagital e coronal). A estratégia cirúrgica é individualizada para cada paciente.

Técnicas utilizadas

  • Descompressão neural

    Remoção das estruturas que comprimem os nervos (laminectomia, foraminotomia).

  • Artrodese com instrumentação

    Fusão vertebral com parafusos pediculares e hastes para manter a correção.

  • Acesso lateral (XLIF/OLIF)

    Técnica minimamente invasiva para correção da curva e restauração da altura discal, reduzindo a agressão cirúrgica.

  • Osteotomias

    Cortes ósseos controlados para permitir a correção de deformidades rígidas. Reservadas para casos mais complexos.

  • Monitorização neurofisiológica

    Monitoramento em tempo real da função da medula espinhal e dos nervos durante toda a cirurgia.

O Dr. Paulo Cortez realiza seus próprios acessos cirúrgicos, incluindo acessos laterais (XLIF/OLIF) e anteriores (ALIF), o que permite um planejamento mais integrado e um controle maior de todo o procedimento. O objetivo é sempre a menor agressão possível com a melhor correção alcançável.

Os resultados variam conforme o tipo de escoliose, a técnica utilizada e as condições clínicas de cada paciente. A indicação é sempre individualizada.

Progressão da deformidade vertebral — quatro estágios de deslizamento vertebral com intensidade crescente de glow vermelho
Progressão da deformidade vertebral — a escoliose degenerativa pode estar associada a deslizamento vertebral (espondilolistese), agravando a compressão nervosa

Recuperação pós-operatória

A recuperação da cirurgia de escoliose no adulto é gradual e varia conforme a extensão do procedimento. De forma geral:

Primeiras semanas

Controle da dor, mobilização precoce com fisioterapia, caminhadas curtas progressivas. Evitar flexão e rotação do tronco.

1 a 3 meses

Aumento progressivo das atividades. Fisioterapia de reabilitação. Retorno gradual a atividades leves do dia a dia.

3 a 6 meses

Consolidação da artrodese. Fortalecimento muscular progressivo. Retorno a atividades profissionais na maioria dos casos.

6 a 12 meses

Maturação da fusão óssea. Retorno a atividades físicas conforme orientação médica. Melhora contínua da funcionalidade.

O acompanhamento pós-operatório com consultas regulares e exames de imagem é essencial para monitorar a consolidação da artrodese e a manutenção da correção. A reabilitação fisioterápica é parte fundamental do resultado.

Perguntas frequentes

Escoliose no adulto é diferente da escoliose do adolescente?
Sim. A escoliose do adulto pode ser uma progressão de uma curva que surgiu na adolescência ou uma condição nova causada pela degeneração dos discos e articulações da coluna (escoliose degenerativa). No adulto, a dor é a queixa principal, enquanto no adolescente a preocupação maior é a progressão da curva.
Quais são os sintomas da escoliose no adulto?
Os sintomas mais comuns são dor lombar crônica, dor irradiada para as pernas (ciática), dificuldade para caminhar longas distâncias, sensação de desequilíbrio do tronco e cansaço ao ficar em pé. Em casos avançados, pode haver estenose do canal associada.
Quando a cirurgia é necessária para escoliose no adulto?
A cirurgia é considerada quando o tratamento conservador (medicamentos, fisioterapia, infiltrações) não controla os sintomas adequadamente, quando há déficit neurológico progressivo, quando o desequilíbrio do tronco está piorando ou quando a qualidade de vida está significativamente comprometida.
Escoliose no adulto tem cura?
A escoliose degenerativa não se reverte espontaneamente. Porém, os sintomas podem ser controlados com tratamento conservador em muitos casos. A cirurgia corretiva pode realinhar a coluna e aliviar a compressão nervosa quando bem indicada, com bons resultados funcionais.
Qual médico trata escoliose no adulto?
O especialista indicado é o cirurgião de coluna (ortopedista ou neurocirurgião com formação em cirurgia da coluna vertebral). O Dr. Paulo Cortez é neurocirurgião e cirurgião de coluna com fellowship internacional, atendendo em Niterói e no Rio de Janeiro.

Precisa de avaliação para escoliose?

O Dr. Paulo Cortez é neurocirurgião e cirurgião de coluna com fellowship internacional. Atende em Niterói e no Rio de Janeiro com foco em diagnóstico preciso e tratamento individualizado.

Aviso: Este conteúdo é informativo e educacional, elaborado pelo Dr. Paulo Cortez (CRM-RJ 52.94734-4). Não substitui a consulta médica presencial. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Os resultados dos tratamentos variam conforme as condições clínicas de cada paciente.