O que é escoliose no adulto?
A escoliose no adulto é uma curvatura lateral anormal da coluna vertebral que ocorre ou persiste após a maturidade esquelética. Diferente da escoliose do adolescente — onde a preocupação principal é a progressão da curva durante o crescimento — no adulto, a dor é a queixa dominante. A condição pode limitar significativamente a capacidade de caminhar, trabalhar e realizar atividades cotidianas.
Estima-se que até 68% dos adultos acima de 60 anos apresentem algum grau de curvatura lateral da coluna em exames de imagem, embora nem todos desenvolvam sintomas. A escoliose no adulto é uma condição que merece atenção quando causa dor, limitação funcional ou desequilíbrio progressivo do tronco.
Tipos de escoliose no adulto
Existem dois tipos principais de escoliose no adulto, com causas e comportamentos diferentes:
1. Escoliose degenerativa (de novo)
Surge na vida adulta, geralmente após os 50 anos, causada pelo desgaste progressivo dos discos intervertebrais e das articulações facetárias. A degeneração assimétrica dos discos e das facetas faz com que a coluna perca o alinhamento gradualmente. É a forma mais comum de escoliose no adulto.
Características: curvas geralmente lombares, de menor magnitude (20° a 40°), mas frequentemente associadas a estenose do canal e compressão nervosa. A dor nas pernas (ciática) é comum.
2. Escoliose idiopática progressiva
É a progressão de uma escoliose que surgiu na adolescência. A curva pode permanecer estável por décadas e voltar a progredir na vida adulta, especialmente após a menopausa, quando a degeneração discal se acelera. Curvas acima de 50° na adolescência têm maior risco de progressão na vida adulta.
Características: curvas geralmente toracolombares ou torácicas, de maior magnitude, com potencial de causar desequilíbrio sagital e coronal significativo.
Sintomas da escoliose no adulto
Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da escoliose, mas os mais comuns são:
Dor lombar crônica
O sintoma mais frequente. Piora ao ficar em pé por muito tempo ou ao caminhar.
Dor nas pernas (ciática)
Causada pela compressão nervosa associada à estenose do canal ou foraminal.
Desequilíbrio do tronco
Sensação de que o corpo está 'pendendo' para um lado ou para frente.
Dificuldade para caminhar
A distância que o paciente consegue caminhar vai diminuindo progressivamente.
Cansaço postural
Fadiga muscular ao ficar em pé, necessidade de apoiar-se em superfícies.
Formigamento e dormência
Nas pernas ou nos pés, indicando compressão nervosa.
Um aspecto importante é que a gravidade dos sintomas nem sempre corresponde ao tamanho da curva. Curvas menores com estenose associada podem causar mais dor do que curvas maiores sem compressão nervosa. O que mais importa é o impacto na qualidade de vida do paciente.
Diagnóstico
O diagnóstico da escoliose no adulto combina avaliação clínica e exames de imagem. O exame físico avalia o alinhamento do tronco, a flexibilidade da curva, a marcha e os sinais neurológicos. Os exames complementares incluem:
Radiografia panorâmica da coluna (em pé)
Exame fundamental. Permite medir o ângulo de Cobb, avaliar o equilíbrio sagital e coronal, e classificar a deformidade.
Ressonância magnética
Avalia a compressão nervosa, a estenose do canal e a degeneração discal. Essencial para o planejamento cirúrgico.
Tomografia computadorizada
Complementa a avaliação óssea, especialmente para planejamento de parafusos pediculares em cirurgias complexas.
Radiografias dinâmicas (em flexão/extensão)
Avaliam a flexibilidade da curva e a presença de instabilidade segmentar.
O ângulo de Cobb é a medida padrão para quantificar a curvatura. Curvas acima de 10° são consideradas escoliose. No adulto, a avaliação do equilíbrio sagital (alinhamento da coluna no plano lateral) é tão importante quanto a medida da curva no plano frontal.
Tratamento conservador
O tratamento conservador é a primeira linha para a maioria dos pacientes com escoliose no adulto. O objetivo não é corrigir a curva, mas sim controlar a dor e manter a funcionalidade. As opções incluem:
- Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor
- Fisioterapia especializada com foco em fortalecimento do core e flexibilidade
- Exercícios aeróbicos de baixo impacto (caminhada, natação, bicicleta)
- Infiltrações epidurais ou facetárias guiadas por imagem para alívio temporário
- Bloqueios radiculares seletivos quando há dor ciática predominante
- Acompanhamento clínico e radiográfico periódico para monitorar progressão
O tratamento conservador pode ser eficaz por anos em muitos pacientes. A decisão de operar só é considerada quando os sintomas não respondem adequadamente ao tratamento clínico ou quando há progressão documentada da deformidade.
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O Dr. Paulo Cortez avalia cada caso individualmente em Niterói e no Rio de Janeiro.
Agendar minha avaliaçãoQuando a cirurgia é necessária?
A decisão cirúrgica na escoliose do adulto é complexa e sempre individualizada. Não existe um número mágico de graus que determine a necessidade de cirurgia. A indicação é baseada em uma combinação de fatores:
Indicações cirúrgicas principais
- Dor incapacitante que não responde ao tratamento conservador por pelo menos 6 meses
- Déficit neurológico progressivo (fraqueza nas pernas, perda de sensibilidade)
- Desequilíbrio sagital ou coronal progressivo que compromete a marcha
- Estenose do canal lombar sintomática associada à deformidade
- Progressão documentada da curva (mais de 5° por ano em radiografias seriadas)
- Comprometimento significativo da qualidade de vida e capacidade funcional
A idade isoladamente não é contraindicação para a cirurgia. Pacientes de 70 ou 80 anos podem ser candidatos cirúrgicos se estiverem clinicamente aptos e se os benefícios esperados superarem os riscos. A avaliação pré-operatória completa é fundamental.
A cirurgia de escoliose no adulto
A cirurgia de escoliose no adulto tem dois objetivos principais: descomprimir os nervos (aliviar a estenose) e corrigir o alinhamento da coluna (restaurar o equilíbrio sagital e coronal). A estratégia cirúrgica é individualizada para cada paciente.
Técnicas utilizadas
Descompressão neural
Remoção das estruturas que comprimem os nervos (laminectomia, foraminotomia).
Artrodese com instrumentação
Fusão vertebral com parafusos pediculares e hastes para manter a correção.
Acesso lateral (XLIF/OLIF)
Técnica minimamente invasiva para correção da curva e restauração da altura discal, reduzindo a agressão cirúrgica.
Osteotomias
Cortes ósseos controlados para permitir a correção de deformidades rígidas. Reservadas para casos mais complexos.
Monitorização neurofisiológica
Monitoramento em tempo real da função da medula espinhal e dos nervos durante toda a cirurgia.
O Dr. Paulo Cortez realiza seus próprios acessos cirúrgicos, incluindo acessos laterais (XLIF/OLIF) e anteriores (ALIF), o que permite um planejamento mais integrado e um controle maior de todo o procedimento. O objetivo é sempre a menor agressão possível com a melhor correção alcançável.
Os resultados variam conforme o tipo de escoliose, a técnica utilizada e as condições clínicas de cada paciente. A indicação é sempre individualizada.

Recuperação pós-operatória
A recuperação da cirurgia de escoliose no adulto é gradual e varia conforme a extensão do procedimento. De forma geral:
Controle da dor, mobilização precoce com fisioterapia, caminhadas curtas progressivas. Evitar flexão e rotação do tronco.
Aumento progressivo das atividades. Fisioterapia de reabilitação. Retorno gradual a atividades leves do dia a dia.
Consolidação da artrodese. Fortalecimento muscular progressivo. Retorno a atividades profissionais na maioria dos casos.
Maturação da fusão óssea. Retorno a atividades físicas conforme orientação médica. Melhora contínua da funcionalidade.
O acompanhamento pós-operatório com consultas regulares e exames de imagem é essencial para monitorar a consolidação da artrodese e a manutenção da correção. A reabilitação fisioterápica é parte fundamental do resultado.
Perguntas frequentes
Escoliose no adulto é diferente da escoliose do adolescente?
Quais são os sintomas da escoliose no adulto?
Quando a cirurgia é necessária para escoliose no adulto?
Escoliose no adulto tem cura?
Qual médico trata escoliose no adulto?
Precisa de avaliação para escoliose?
O Dr. Paulo Cortez é neurocirurgião e cirurgião de coluna com fellowship internacional. Atende em Niterói e no Rio de Janeiro com foco em diagnóstico preciso e tratamento individualizado.
Aviso: Este conteúdo é informativo e educacional, elaborado pelo Dr. Paulo Cortez (CRM-RJ 52.94734-4). Não substitui a consulta médica presencial. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Os resultados dos tratamentos variam conforme as condições clínicas de cada paciente.
